22 de março de 2008

47º Post - Refletindo / Uma Páscoa Amarga

Sabem aquela sensação de que mesmo fazendo tudo o que foi planejado as coisas não andam como deveriam andar? E que a qualquer momento tudo sairá do controle? Parece que não sei mais o que busco. E se sei, não deveria estar procurando-a. Talvez eu tenha que ser menos arrogante e descer do palco.
Estou me entupindo de sorvete, sem ninguém no MSN e com os amigos viajando na Páscoa, que pela primeira vez, não será o como eu desejava.
Editado - 23 de Março de 2008
Estava novamente chovendo, uma garoa fina batendo na janela, um tempo fresco. Uma noite que lembrava o trágico dia em que perdi minha gata. E novamente chovia.
O telefone toca.
Era meia-noite e com um telefonema a essas horas era previsível o motivo. Umas palavras torcadas e minha mãe cai em choro.
Desde o começo do ano, mais ou menos, minha prima foi internada no HC de São Paulo com um câncer. Durante minha estada lá, muitas vezes minha mãe ligava e dizia: "Está mal, mas torcemos para que melhore", e depois "foi para a cirurgia"; "Ela piorou..." e no fim "os médicos disseram que não há mais nada a fazer".
Estava conversando com o Tin Man no MSN nessa hora, tentando esquecer o clima pesado que estava na família, clima tal que me fez escrever aquelas poucas palavras acima.
Como muitos disseram hoje, foi algo rápido, nem eu esperava que ela morresse assim de repente. Foi duro, ainda estou abalado.
Não sou das pessoas mais ligadas à familia, mas ela era uma pessoa tão boa, tão legal que realmente fico bobo, sem saber para onde ir ou o que pensar. Sabem aquelas pessoas que mesmo não tão próxima é querida e especial? Era minha prima.
Foi muito triste quando minha tia e minha prima chegaram de São Paulo hoje de manhã. Meu tio também faleceu disso, e novamente um. E minha tia é um anjo também, não merecia passar por isso.
Queria fazer uma homenagem para ela, pois ela merece. Não sei o que fazer. A última vez que falei com ela foi no Natal. Resta só registrar o quanto gosto e admiro a minha prima, que a uma hora dessas deve estar deslumbrando Deus ou qualquer outra divindade em um Paraíso perfeito.
A Páscoa desse ano foi amarga, tão amarga que seu gosto ficará marcado por muito tempo. E começo a odiar dias chuvoso. Só torço para que este não se torne um ano de desgraças.
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Eu ia tirar este domingo para ler e comentar no blog de vocês, além de escrever um post com o que fiz em São Paulo até agora, mas não deu, me desculpem. Queria muito, mas não tenho ânimo e vontade para isso.
Abraços

6 de fevereiro de 2008

46º Post - Eu tentarei

Por onde começar?

Bom, depois do último post, entrei em depressão novamente. Ainda tinha vestibulares, ainda estudava muito, então acabei me afastando novamente.

Em São Paulo, fazendo novamente o Nouryoku Shiken, me fudi literalmente. Ainda não sei minha pontuação, mas não estou esperançoso. Após a prova, fomos ao shopping ["sô caipira, vô na capitar pra í im xópin"] Queria ir ao cinema, mas estava em reformas [eita azar!]. Numa das lojas do Mc Donald's, esperei, sentado em uns sofás de lá, a neta do meu professor comprar um lanche. Eis um dos motivos pelo que quero tanto ir para São Paulo: entra dois caras, de mãos dadas; eles olham para as mesas como que procurando conhecidos, depois olham as ofertas, trocam umas palavras e saem. Tudo isso de mãos BEM dadas. E ninguém prestou atenção, nem ficou encarando, ou qualquer outra coisa: simplesmente entraram e saíram. Não vou exagerar dizendo que na minha cidade eles seriam mortos e expostos em praça pública, mas é que vejo tantas situações como estas em que as pessoas saem do local incomodadas, ou ficam encarando, que aquilo foi uma visão extraordinária! E depois, já sainda do shopping, vi um casal, saindo de uma academia, abraçados e com um deles quase na bunda do outro!!! Nunca na minha vida tinha visto dois caras tão juntos ao vivo, em carne e osso e em cores! Ahaha ganhei meu dia só com aquilo.

Depois mais estudos para vestibular, mas num ritmo mais lento pois já não estava agüentando. O último foi um desastre, nunca fui tão humilhado em uma prova como aquela. Nunca cometi tantos erros babacas e imperdoáveis na minha vida como naquelas provas. Mas tive uma boa notícia: eu tinha conseguido passar para a segunda fase da Fudest! Ehehe Foi suado mas consegui XD

Veio o fim de ano, com seu Natal sem neve e ano novo sem fogos. Passei estudando. Dois dias antes das provas o pessoal da classe fez um churrasco com o dinheiro que havia sobrado da formatura. Com muita insistência de Miojo, fui. Foi até bom, pois Pikachu encheu a cara, provavelmente por causa de sua amada Jaca! Muahahahaha [risada maléfica!] Foi tão bom vê-lo tomando ducha de água gelada para não dormir! Ok, sou um menino mau por causa disso, mas me fez tão bem vê-lo daquele jeito!

Um dia antes das provas, tive uma discussão com meu pai. Eu precisava ir na casa do meu professor de japonês, mas estávamos de saída para a casa dos meus avós e meu pai não queria ir, então inventou a desculpa de que isso só iria atrasar. Foi um bate-boca normal, mas ele fez tudo o que não podia ter feito, poderia ter batido ou dito qualquer outra coisa. Mas disse. Disse que eu não fazia nada o dia inteiro, só dormia, ia para a academia ou ia em churrascos. Aquilo foi mais que uma facada no peito. Passei um ano inteiro estudando o dia todo, deixei de sair com meus amigos para poder estudar, dormia muitas vezes no máximo 4 horas, isso com uma puta dor no olho e na cabeça de tanto ler, e ia para a academia para não virar um sedentário, e havia ido ao churrasco pois seria a última vez que veria muita gente com quem passei três anos da minha vida e ele disse aquilo! Queria ter dito tudo isso na cara dele, mas não consegui, a voz não tinha força. Segurei o choro e saí, quase correndo. Segundos depois desabei, chorei muito e não estava ligando para os olhares que me fustigavam no meio da rua. Como ele pôde dizer aquilo? Justo um dia antes da Fuvest?? Sei que não sou uma pessoa boa, mas o castigo foi grande.

A Fuvest, como de costume, Fudest. Lá encontrei pessoas da minha cidade que eu nem sabia que estariam lá. Isso aliviou a tensão, apesar que novamente cometi os erros mais condenáveis em uma prova de Física... Fazer o que né?

E pela Lei de Murphy, as coisas tendem a piorar.
Dias antes do primeiro resultado de vestibular, minha gata começou a passar mal e era uma noite de sexta-feira. Por não haver veterinários à aquela hora, não fizemos nada. No sábado tivemos que viajar e voltamos só à noite. Fiquei preocupado, pois ela tinha piorado. Queria levá-la a algum veterinário, mas meu pai não queria, dizia que ia passar, que era melhor esperar segunda, e eu na maior complacência e idiotice, aceitei. No domingo, ela já não bebia água e nem comia, fiquei com medo do pior. Segunda acordei cedo para levá-la ao veterínário, fui para a varanda pegá-la. Olhei dentro da casinha e ela estava lá deitada, com a boca um pouco aberta e os olhos sem brilho. Engoli seco, virei me de costas e olhei o céu. Estava cinzento e chuvoso como no dia em que ela foi jogada, ainda pequena dentro duma caixa de sapatos, no terreno baldio ao lado de minha casa. Estava chovendo, como se os céus também chorassem como eu estava chorando. Não olhei novamente para ela, saí correndo para o quarto e por um bom tempo chorei. Recobrei o fôlego fui vê-la. Ela estava morta, estava gelada, dura, o rigor mortis dos contos policiais.
Ela se chamava Nina, e estava comigo fazia 11 anos, desde quando eu era um pirralhinho de 6 anos. Praticamente a vida inteira passei ao lado dela, apesar que ela pouco fazia caso de mim. Era mais que uma irmã, mãe, amiga, companheira. Eu adorava ficar vendo-a dormir ou lamber a barriguinha gorda. Algumas vezes sinto que se eu tivesse levado-a ao veterinário, talvez ela estivesse aqui, mas também não queria ter que decidir entre deixá-la sofrer ou sacrificá-la. Nunca havia perdido alguém tão próximo a mim, sentia-me desolado e solitário. Foi um dia chuvoso, como quando a conheci, e foi sob a chuva que a enterrei.
Ainda hoje olho pela janela da cozinha, achando que vou vê-la dormindo de barriga para cima, mas ela não está mais lá... Ou então quando chego em casa e ela não está no portão, curiosa para ver quem chegava... Merda.... Porra, sei que vão falar que ela já tinha 11 anos, que estava velha que ia bater as botas do mesmo jeito, como meu pai diz, mas tem gente que vive tanto, porque não uma gatinha que não fez nada de mal além de me arranhar e caçar alguns passarinhos? Para que serve a Veterinária? Sei que isso é uma incoerência vinda de mim, pois vou ter que lidar com situações como esta, mas...

Eu ia escrever um post inteiro para ela, mas decidi não fazer isso, pois não iria aguentar. Mas queria deixar registrado aqui o quanto sofri com isso, pois quero que estas palavras sejam eternas, e mostrem à todos o quanto a amo e a amei.

Dois dias depois saiu o resultado do primeiro vestibular: não passei. Era de esperar, mas fiquei numa péssima colocação. Isso acabou por me jogar mais para baixo, fiquei dias sem conversar com ninguém, só esperando a Fuvest. E saiu, e é claro, não passei ;D Mas fiquei em uma boa colocação, até melhor que eu esperava! Num sei minhas notas e nem como vai ser esse ano, mas espero passar na próximas chamadas pelo menos para a Santa Casa [não tenho como bancar, mas nem que seja para falar: "Oe! Passei!" já está bom demais].

Logo, como eu não passei, terei que fazer cursinho, certo? Certíssimo! E onde? Hã? Hã? Quem acerta? Quem dá mais?? São João? Santa Maria? São pedro??? Não, São Paulo! aauhaiuhaiuha Consegui um bom desconto em um bom cursinho, e vou para lá amanhã [madrugada de sábado]. Já arranjei um apê e vou dividí-lo com um japonês. Qual? Quem poderia ser??? Hã????? Ouvi direito? Será isso mesmo? Mas não, não é ele!! \o/ Não é Pikachu, ainda bem. Apesar que ele vai fazer o mesmo cursinho, ele e mais umas 15 pessoas que conheço ahiuahiuha. Mas foda-se.

E a primeira coisa que vou fazer lá é? Adivinham! Pegar o primeiro macho que eu ver na frente e meter bala? Ir para uma boate? Ou enfiar a cara nos livros? Nada disso: eu e Miojo faremos uma busca por algum ingresso para o Alegria do Cirque du Soleil! Apesar que não estou muito esperançoso de achar algo, mas vai ser um modo de relaxar mais esse ano de puro estudo.

Enfim, ainda tenho que arrumar a mala. E como vou estar sem computador lá, então demorarei um pouco para atualizar e para comentar, então, não se preocupem, pois vaso ruim num quebra nunca!

Abrações!

1 de dezembro de 2007

48º Post - Aqui e Lá Novamente

Acho que é hora de voltar. Vou escrever o que aconteceu para ter me tirado de circulação, primeiro para dar expliações, e segundo para ficar registrado em algum lugar.


Eu vinha levando as coisas tranquilamente desde muito tempo; conseguia fingir que estava bem. Mas as coisas começaram a sair do controle naquela viagem que fiz, como havia dito "Postando quando não deveria, e nem com muita vontade..."

Sempre fingi ser hetero, e mesmo andando com muitas garotas e sem ficar com nenhuma delas, os outros me consideravam hetero [até onde eu saiba]. Convivia de uma maneira meio distante dos outros caras, conversava um pouco com Pikachu no inglês, um pouco com Ciro nos intervalos, mas nada que se possa dizer de uma amizade propriamente dita. Mas naquela viagem, tendo que sentar do lado deles no ônibus, dormir com eles no mesmo quarto, acabei me aproximando mais. Não, não acabei me apaixanando. Vivi uma vida de hetero sem máscaras. E gostei. Não fiquei com nenhuma garotas, mas fazer todas aquelas merdas que eles fazem me dera uma certa tranquilidade. O contraste entre minha mentira e a realidade começava a se agravar.Mas fui levando.

Quase um mês depois, teve o churrasco de despedida do americano que estava na minha classe. Foram, além da classe, de outras pessoas da cidade, um casal de canadenses, um londrino, um australiano, outro americano e talvez um outro que não lembro da onde. Todos lindos. E como toda festa, ela estava regada a alcóol. Nesse meio tempo, Goiânia começou a namorar. Isso foi um golpe para mim, não por eu não querer vê-la com outros caras e ser feliz, gostar dela como mulher ou outras coisas do gênero, mas por ter ficado para trás, abandonado. Quando saíamos, era sempre Goiânia, Bebidas e eu. Algumas vezes tinha outras garotas, mas elas não ficavam só conosco. Bebidas sempre ia ficar com outros garotos, não parava quieta. Logo, sobravam Goiânia e eu. Mas com o namorado dela, ou eu ficaria segurando vela, ou procuraria outra companhia. Um namorado? Não, não aqui. Talvez muitos ainda não entendam o fato de eu fazer de tudo para me manter no armário. Bom, minha família é daquelas católicas praticantes, vão à missa todos santo domingo, ou seja, seguem as regras do Vaticano. Minha mãe já até avisou que "prefere ver seus filhos mortos a saber que são homossexuais". Sei que ela não vai me matar, mas vai fazer algum estrago em minha vida. Além disso minha cidade é extremamente pequena, há poucos lugares para sair, e as notícias correm mais rápido que a luz. As pessoas fazem comentários degradantes sobre os gays daqui, e uma vez já ouvi dizerem que "deveria haver pena de morte" para nós. Meus próprios amigos são homofóbicos. Mas não faço tudo isso por causa deles, para protegê-los. Faço tudo para sair daqui, fazer faculdade de dar adeus à essa vida. Sei que não haverá a tão sonhada liberdade, mas serei dono do meu nariz. Mas quem vai me sustentar durante todo esse tempo? Meus pais, logo, tenho que ser como eles querem que eu seja. Por isso eu nunca tentei algo a mais com Pikachu ou Ciro, por isso sempre fui "mole", mas era preciso. Voltando à festa, estava eu lá sozinho, enquanto Goiânia conversava com o namorado pelo celular. Então fui pegar mais refrigerante [havia decidido a não tomar alcóol nesse ano]. Então Vovó me chama e diz para ajudá-la a criar alguma batida. Ajudo, e faço a minha. Vodka com vinho, limão, açúcar e um pouco de refigerante. Vai um copo, dois, três... Não havia problema em beber, já estava todo mundo tombado, eu estava sozinho, algumas vezes conversando com outros. Sentia-me deixado para trás, assim como o Brian quando Michael casou-se com o Ben, no seriado Queer as Folk. Quatro, cinco, seis copos... Lembro somente até o oitavo copo. O alcóol já fazia seus efeitos. Estava bêbado, anestesiado, não pensava e sentia nada daquilo que acabei de escrever. E como um bom bêbado, fiz as minhas cagadas. Após descer uma ladeira sentado num pedaço de papelão, minha memória se apaga. Tanto melhor, assim não lembro se fiz algo de pior. Recobro a lucidez um tempo depois [já era noite] com Digão tirando meu copo dizendo que eu já havia bebido demais. Pouco tempo depois estava no banheiro do clube vomitando. E bastante, era puro vinho e vodka. E a festa já estava terminando. Não podia voltar para casa naquele estado. Meus pais acham [ainda] que sou um anjo perfeito que não dá seus pulos no inferno. Miojo me levou para casa dela, sob o olhar de ódio de seu namorado [ele me odeia]. Lá vomitei mais. Em casa, tomei um banho e dormi. Acordei no meio da noite com a bexiga estourando, e um leve dor de cabeça.

De manhã, nada de ressaca física, só moral. Só aí percebi a merda que havai feito. Não bebi para estar alegre com meus amigos, para festeja nem nada. Bebi para afogar minha tristeza latente. Não sei se esse acontecimento antecipou ou não a depressão que viria, mas foi a partir daí que perdi minhas forças. Aqui no blog, já não encontrava conforto, mesmo porque eu já estava deslocado. Vivia uma vida hetero no mundo "real" e gay no "virtual". mas será que eu era realamente gay? Nunca fiquei ou transei com outros caras. Tecnicamente eu não era. E como poderia eu comentar no blog dos outros sobre algo que nunca vivi? Como dizem, sou uma criança ainda. Mas uma criança tentando viver um mundo de adultos, um mundo ao qual não pertenço. E confesso que sentia inveja dos outros blogayros. Não aquela inveja que deseja a desgraça alheia, e nem estou falando que a vida de todos são mil e uma maravilhas, mas eu não podia ter algo que a maioria tinha.

Havai perdido a confiança em mim, a vontade de continuar no blog. E pela Lei de Murphy, esse era o momento propício para dar tudo errado: começaram as semanas de provas. Desde alguns dias antes já havia entrado em estado de prostração total, mas ter que estudar como um condenado piorou meu espírito. Era tantas provas e trabalhos para entregar que havia dias em que eu dormia somente três horas. Em depressão, abandonei a companhia de meus amigos e me isolei. Foi aí que publiquei o post "O Crepúsculo dos Deuses"; quase decidido a abandonar o blog. Passei a me alimentar mal também, emagreci um pouco e como naquela máxima [grega?] "Mente sã, corpo são", adoeci. Era inverno e sempre tive facilidade para pegar resfriado. Pois bem, peguei um. Que evoluiu para gripe, e que foi para algo mais sério. Mas eu ligava? Não, para quê? Tanto melhor se a doença me consumisse por inteiro. Muitas vezes fui para a aula ardendo de febre. E para piorar ainda mais, meus pais me pressionavam para eu fazer os vestibulares de inverno, que eram todos fora do estado, o que ia contra meus planos de ir para São Paulo.

Então, veio Julho, férias! Para mim não. Tive que ficar dias em pleno repouso e tomando antibiótico. Passava o dia inteiro ou estudando ou dormindo. Decidi que ia sacrificar até a minha última gota de sangue para passar no vestibular. Mas em que curso? Não estava decidido. Qualquer coisa valia, pois para quem está na bosta, mais uma cagada não faz diferença. Não saí, não entrei na internet, não fiz nada. E o blog ia completar um ano. Ficava me perguntando se postaria algo nessa data. Ora dizia que sim, ora dizia que não. No dia, queimando de remorso por não escrever nada no aniversário de algo que me acompanhou durante um ano e me deu amigos, resolvi publicar algumas palavras. Foi o último post meu: o remorso estava aliviado, e eu poderia descansar em paz.

O que se seguiu foi minha perdição. Passei a estudar com todas as minhas forças, até durante os intervalos. Perdi o contato com os amigos. Deixei de sair. Recebi críticas por me dedicar tanto. Algumas vezes pensava em beber, encher a cara até transbordar para poder fugir deste mundo. Foram meses de pura inércia. No final de setembro, recobrei um pouco do ânimo e voltei a entrar no MSN. Em outubro, no meu aniversário, meus amigos fizeram uma festa surpresa para mim, mas nem assim fiquei alegre quanto deveria: voltar a ser um "garoto que vivia sorrindo", como Goiânia dizia. Mas um garoto que realmente sorria por estar feliz ou para manter o seu papel social na vida? Talvez eu seja realmente a pessoa fria e sem sentimentos como alguns pensam.

Em Novembro, começaram os vestibulares. No primeiro não fui bem, por vários fatores. No segundo, consegui ir melhor do que eu esperava. Mas nem todos vêem isso. Voltando da prova, pergunto aos meus pais onde ficarei para poder fazer a segunda fase. O que meu pai responde? "Isso se você passar..." com um tom de certeza de derrota e ironia. Aquilo foi um golpe no estômago. Eu havia passado para a segunda fase do curso mais difícil do país, direto do 3º colegial, e eles, que deveriam me apoiar, nem acreditavam em mim?! Como alguns disseram no MSN, eu não devia dar ouvidos a isso. Mas são meus pais, sacrifiquei me durante um ano, perdi amigos, meu blog, fiz o que podia e não podia para ter aquele resultado e não me falaram nenhum "Parabéns!" ou um sorriso?!

Estava sem amigos, isolado, cansado, sem esperanças.

Ontem foi minha formatura. Aos poucos fui tentando voltar a me relacionar com os outros, mas as coisas talvez não voltem a serem as mesmas. Estavam os garotos de terno e gravata, e as garotas, de vestido longo. Uma decoração perfeita. Ri bastante, tirei muitas fotos, e dancei funk até o chão com Naty. Após a colação de grau, quando todos estavam se abraçando e se parabenizando, olhei para tudo ao redor e vi que talvez o sacrifício tenha valido a pena.

Ao abraçar Miojo, quase chorando:

- Miojo, me desculpa por tudo esse ano?
- Não, Du, me desculpa por não entender por que você estudou tanto.

Não foram bem essas palavras, mas esse foi o sentido. Sempre dizia a ela que era para ela estudar e deixar a organização da formatura de lado. Foi ela que, praticamente, organizou a festa. Mas para isso não estudou o ano inteiro. Em algumas matérias é capaz de ser reprovada. Mas me dou conta agora do que meu venerável professor de redação dizia, que eu e Miojo somos totalmente contrários. Analisando bem, nós dois fizemos sacrificios antagônicos. Eu sacrifiquei minha vida social para me dedicar ao estudos e ela sacrificou os estudos para dedicar-se ao social.

Ao estar em cima do palco do salão, com toda a classe para tirar uma foto, olhando todas as mesas, repletas de pessoas, lembrei do blog, dos amigos que tenho aqui e das palavras que tanto me reconfortaram em vários momentos. Então decidi que era hora de voltar, de fazer algo. Talvez isso seja uma forma de curar o arrependimento. Estou arrependido? Sim, não tenho verginha de dizer. Arrependo-me de grande parte de minhas ações. Mas isso não quer dizer que desejo voltar ao passado e mudá-las, pois nada garante que eu poderia melhorar ou piorar o futuro. E arrependimento pode sim andar ao lado do orgulho: orgulho-me das ações e escolhas que fiz.







Amanhã estou indo para São Paulo fazer novamente a Nouryoku Shiken, a Prova de Proficiência em Lingua Japonesa que eu havia prestado ano passado, mas dessa vez será em um nível mais dificil.

E ainda não terminaram os vestibulares, tem as segundas fases.



É, talvez eu esteja voltando ao normal.
Talvez a vida flua, agora, como deve fluir.



Torçam por mim!
Abraços

21 de julho de 2007

47º Post - O Aniversário

Bem, não posso deixar esta data passar em branco [apesar de eu ter terminado o texto no dia 21]. E sobre o que está acontecendo eu conto no próximo post, mas as coisas estão melhorando, já que hoje [olhem a ironia... aniversário do blog e eu recebo tal notícia] fiquei sabendo que eu vou realmente fazer cursinho em São Paulo, caso eu não passe em nenhum vestibular. É, mas nem tudo é um mar de alegria [conto depois...] E queria ter feito algo melhor nessa postagem, algo como os "pacotes da alegria" [fotos do site The Boy], mas falta tempo e vontade.



E vamos ao post de comemoração propriamente dito:


Desde a primeira postagem em 20 de Julho de 2006, o blog recebeu 5229 visitas [desde 17 de Dezembro de 2006 até a publicação de hoje] e 496 comentários [até a publicação]. Foram 47 posts [contando este] em que tentei mostrar a minha vida de um jeito que não a tornasse um tormento. Foi, digamos, um meio de viver uma vida à qual eu podia ser quem eu sou.


Sinceramente? Eu não esperava tudo isso. Imaginava que ninguém ia lê-lo e que muito menos eu o continuaria. E não sei até onde irei e muito menos as consequências disto. Pode ser que meu blog seja lido por alguma alma perdida em sua vida "real" e tente fazer o mesmo: criar um blog para desafogar o já afogado. Exatamente como aconteceu comigo: li alguns blogs, muitos já encerrados, e decidi fazer o meu. É... É como Úrsula Buendía, a mesma do post anterior, disse: "O tempo parace dar voltas, as coisas se repetem, o mundo está louco". Não foram exatamente essas palavras, mas foi a minha interpretação. Algumas horas chego a pensar que o blog possui vida própria, e que a opinião dele influencia minha vida. E quem é o blog? Vocês, meus caros leitores e amigos. Agradeço muito por tudo!


É isso, a coisa continua até onde der.




Assoprem as velinhas!!!!


Abrações!
[E desculpem não passar no blog de vocês, pois como eu disse, estou sem tempo.]

27 de junho de 2007

46º Post - O Crepúsculo dos Deuses


"Certa feita, Ursula Buendía disse uma sábia frase: Se você coloca um pé no passado e outro no futuro, você caga no presente. E alguém, muito verdadeiro, respondeu: De cagada em cagada o saci continuará a dar seus pulos, até que a muralha desabe em sua própria imensidão."
Talvez a coisa seja séria agora.

Há vezes em que realmente não há como aguentar. Tornam-se insustentáveis. Tudo. Sei que isso é somente um pôr-do-sol, haverá outros, uma lua poderá brilhar, cheia e clara, e um sol um dia resplandecerá. Quando? Não sei. Talvez nunca, talvez agora ou quem sabe ontem. Peço desculpa ao Just a boY pela decepção. Há horas em que a esperança é inatingível, e quando a alcanço, alguém me rouba.
É vergonhoso dizer isso, mas inevitável e necessário, logo perto do aniversário: o blog pára por aqui. Não é definitivo, provavelmente voltarei, as férias estão perto, poderei descansar em paz. Para eufemizar, direi que é um intervalo. O importante é que a bola de neve, ou de merda, continue caindo, rolando, demolindo, pois essa é a essência da vida.