20 de julho de 2008

51º Post - Admirável Mundo Novo

Dois anos...

Há dois anos eu era um adolescente sonhador, deprimido, carente, esperançoso, vivendo uma vida dupla, que em parte, se tornou tripla: a vida para meus familiares, a vida para meus amigos héteros e a vida para meus amigos gays. Nunca tive problemas em aceitar ser gay, mas houve momentos em que essas três partes não cabiam em uma. De certa forma, o blog alivia tal pressão.

E por que eu criei o blog? Não lembro ao certo; acho que para encontrar meu lugar no mundo e ver que minhas ações podem mudar o curso de alguma história. Ou talvez deixar meu testemunho, a minha versão dos fatos, para mais tarde tentar "ligar as duas pontas da vida" e poder viver em paz com meu passado. Deixar meu legado, dizendo: "Sim, eu tentei o certo, sim!, talvez tenha fracassado... Se errei, admito, foi tentando fazer o que podia."

Seria a minha versão, a minha história, meus erros e acertos. Tudo bem que parte delas foram esquecidas nas profundezas da depressão que me assola frequentemente, porém o essencial está escrito, não da maneira pretendida ou fiel à realidade, mas que ligará para isso?


Continuo sonhador deprimido, carente e ainda mais esperançoso, embora eu veja que esperar não me levará a nada. O que fazer? O que fazer se sonhos se tornam areia, se ações são deliberadas, se o destino sempre me prega uma peça ali, bem ali depois da esquina? Continuar? Sim, essa seria uma das escolhas. Ou mudar? "Sofrer as dores dos parto"? Nascer novamente, mudar meu jeito de ser: ser mais receptivo com as pessoas, ser mais amável, menos arisco, mais humano. Mas eu continuaria a ser o que sou? Eis a questão. Uma questão cuja resposta provavelmente será não. Se hoje sou o contrário do que gostaria, é porque as circunstâncias não foram as planejadas, a vida não me mostrou o caminho certo. Perderia meu âmago, e seria mais uma tentativa entre tantas de ser feliz.

Felicidade... Eita palavrinha enganosa. Se não, pelo menos é necessário tristeza para que ela exista. Acho que o que sempre fiz foi sentir o máximo de dor, para depois sentir o máximo de alegria. Um ciclo vicioso, em que as amplitudes da minha montanha-russa aumentam exponencialmente. Onde chegarei? Em algum lugar, certamente.


Dois anos...

Me sinto um velho dizendo essas palavras. Parece que foi tão rápido: antes eu tinha 15 anos; agora 17. Antes eu estava no primeiro ano do colegial; agora estou num cursinho para entrar na faculdade. Antes, sempre o antes, eu morava numa pequena cidade do interior de São Paulo, pequena, pacata, homfóbica; agora, morando em São Paulo! Olhem o progresso...

Será verdade? Homofobia sempre irei encontrar. Mas será que minha cidade era tanto assim? E meus amigos, com suas declarações de ódio? Será que eram tão homofóbicos? Acho que o medo de ver que errei, que eu poderia ter contado antes, que nada teria dado errado é que me impede de contar aos amigos mais próximos que sou gay. Medo de ver que podia ter feito melhor, que meus medos não tinham fundamentos. E continuo errando...


Antes, eu não conhecia nenhum gay pessoalmente. Agora, tenho amigos que são gays, com quem posso compartilhar certos assuntos que só gays entenderiam e, melhor!, já encontrei dois desses amigos pessoalmente [Shinji e Jimmy] e pretendo conhecer muitos outros.

Já dei meu primeiro beijo num cara, mas é nos que virão que estou interessado. Como foi boa a sensação de ver dois caras, lá na Bubu, se beijando, ao vivo e a cores, e não numa tela de um computador, em filmes pornôs ou seriados. Era ao vivo, e eu poderia também. Não foi o que eu esperava, mas esperar o que mais? Pode-se viver com pouco. Ou mais, se a vida me permitir.

E as cenouras? Quantas será que não comi ou recusei!? E continuo andando, sim, caminhando pelas estradas, sempre comendo as cenouras penduradas na vara de pescar. Um burrinho seguindo seu caminho. Seguindo em frente. Tropeçando e caindo. E relatando, vejam só!, tudo isso num blog! Isso que é modernidade! Burrinho ou não, comendo cenouras ou não, a corrente do rio segue em frente.


Muito obrigado a todos os meu amigos, leitores ou não. Agradeço do mesmo jeito.

Abraços!

14 de julho de 2008

50º Post - Festa

Quase dois meses sem postar. Mas escrever numa lan house é perda de dinheiro e de tempo, então deixei para escrever aqui na casa de meus pais.
Bom, a monotonia do post passado foi quebrado com a vinda do meu querido Jimmy à Sampa. Como não aconteceu nada de extraordinário antes disso, então vou direto ao dia.

Começou bom, com eu e Miojo na Sala São Paulo para assistir à Sagração da Primavera, do Stravinsky. Só aquilo já valeu o dia, e me deixou animado para a noite. Tenho que agradecer ao Jimmy por ter me chamado a sair um pouco da minha rotina de acordar/cursinho/estudar/dormir e ir à uma distração, teoricamente, gay. À altas horas da noite [olha o exagero], fiquei esperando-o na estação do Metrô. E chegou, e era mais alto do que eu imaginava ehehe. Num vou ficar com rasgação de seda, porque não faz meu feitio ficar elogiando, mas ele merece todos! Um tempinho para contactar a amiga dele [que esqueci o nome, para variar...] e descemos a Augusta em busca dela. E nada dela, até que ela nos manda ir direto à Bubu. Ok, lá fomos nós! Eu não fazia idéia de como chegar lá, e o Jimmy tinha uma vaga lembrança. Enfim, ficamos num ponto de onibus, pois algum devia ir para lá. E nada... Até que ele resolve perguntar a umas garotas se ali passava onibus para perto da boate. E??? Não! Ehehe

Lá fomos nós de novo para outro ponto, e dessa vez sim tinha buzão! Mas ainda havia um problema. Eu ainda sou menor de idade, então será que eu conseguiria entrar? Se pedissem meu RG, eu seria barrado! Sei que não tenho uma cara de novinho, mas como disseram no MSN, a chance de me pedirem era alta.



Não custava nada tentar! Já em frente do local, vários caras bonitos, eu e Jimmy na fila para entrar e dizendo mal de alguns blogayros [zuera!]. Até que chegara o momento delicado: fui entrar, o segurança me olhou, eu o olhei. Ele me encarou. Desviei o olhar. Pronto, ferrou! Vai pedir meu RG! Andei mais depressa, quase empurrando o Jimmy. E não é que entrei? Estava com sorte!
Local agradável, várias pessoas, caras bonitos, mas... Estranhei que havia uma grande quantidade de mulheres, maioria lésbicas, e vários héteros. Mas que raios de boate gay era aquela com tantos heteros??? Bom, detalhes à parte, comecei bebendo algo que sempre tive vontade, mas nenhuma oportunidade: absinto. Sim, realmente é um soco na cara que faz enxergar fadas verdes ehehe. Andamos um pouco por lá, para reconhecer o local. Bom local, som incomparável com aqueles tocados na minha cidade. Mas aquele tanto de mulheres me incomodava. Enfim... Uns dois caras chegaram em mim, mas não faziam meu tipo. Ficamos andando [acho que nesse ponto pequei com o Jimmy], peguei mais bebida: whisky e amarula. Normal eu me embebdar para poder me soltar, mas eu já estava percebendo onde que iria dar aquilo. E num certo momento me perdi do Jimmy. Oras, para achá-lo a melhor coisa seria continuar andando. Acho que àquela altura estava claro para todos que eu caçava, já que havia rodado aquilo inúmeras vezes. Havia sim caras ao meu gosto, mas ou eram heteros, ou estavam acompanhados, e quando nada disso, eu não tinha ainda desinibição para chegar neles. Num certo momento chega um cara em mim, bonito, ao meu gosto, mas... Mas não sei o que aconteceu, o que deu em mim, mas não dei atenção e continuei andando. Caralho, que merda estava fazendo. Voltei, mas ele não estava mais lá. Aí fiquei puto comigo mesmo. Eu não estava disposto a sair da boate sem ter feito nada, sem ter beijado um cara.



Encontrei o Jimmy, desabafei e merecidamente ele admitiu não entender o porquê de eu ter feito aquilo. Conheci a amiga dele e ficamos dançando um pouco, mas dançar não era meu objetivo ali. Então saí, continuei andando. Então Jimmy resolveu ir embora. Tudo bem, nos despedimos, no outro dia eu iria sair com ele de novo.
Nesse momento o álcool chegou ao seu auge, e eu já estava puto comigo mesmo, carente até não poder mais. Resolvi que pegaria o primeiro que me aparecesse na frente. E não demorou muito. Um coroa, não tão coroa, um tiozinho chegou em mim e eu disse: "Vai esse mesmo!" Fiquei com ele em frente a um dos bares, do meu lados duas lesbicas e do outro um casal hetero. Dispensei toda minha carência com ele, que imagino eu, também devia estar há um tempinho na seca.
Mão para lá, mão para cá, ele sempre tentando tirar minha camisa ¬¬, me surpreendo quando ele coloca a mão dentro da minha calça e começa a me masturbar! Na hora não liguei, é claro. Mas comecei a me incomodar com aquela situação, pois estávamos em frente a um dos bares, com bastante gente em volta... Ele notou meu desconforto, então fomos a um canto mais escuro, ao lado de um dos banheiros... E ele continuo seu "trabalho manual" [ehehe] só que com o meu zíper aberto, para facilitar o trabalho ehehe [estou me sentindo um pervertido...] Mas quando senti que ele iria querer algo mais, dei tchauzinho e fui-me, mesmo porque eu já havia me satisfeito [não, não gozei, me satisfiz no sentido de aliviar a carência] e não estava afim de algo mais.
Dei mais uma andada, e vi um outro tiozinho, dessa vez bem apanhado, uma bunda gostosa e dançando lascivamente. Como ainda não tinha coragem de iniciativas, fiquei olhando [secando] para ver se ele notava, mas ele não notou, e se notou resolveu não dar atenção. Então resolvi ir embora, mesmo porque já devia ser cinco ou seis da manhã... Um carinha ainda veio conversar comigo, mas já estava cansado e ele não era meu tipo [calma, não sou tão exigente, mas tenho minhas preferências]. Uma coisa disso apreendi: beijar caras é fria. Saí com o rosto todo arranhado. Nesse ponto, beijar mulheres é infinitamente melhor ; )



E não é que me surpreendo, ao sair, que já estava um clarão! Já eram quase sete horas! No ponto de ônibus, resolvi não pergar os que iam para a Paulista, e sim esperar um que passasse por perto do meu apê. E esperei, esperei... esperei e dormi. Acordei uns 15 minutos depois, com um ônibus saindo, mas deu tempo de ler na placa que ele ia justamente para a minha rua... Hummmm... Ou seja, eu havia perdido meu onibus ¬¬ Não fazia mal, iria para a Paulista e pegaria um metrô mesmo. Já dentro do metrô, dormi novamente! Mas tive sorte [?] de uma senhora pisar no meu pé e perceber que eu estava na estação que devia descer. Na saída da estação encontrei um pessoal do meu cursinho que estavam indo fazer vestibular. Na frente do cursinho, me deparo com Naty:



- Eduuu! O que você está fazendo aqui?



- Ah, estou indo para casa...



- Agora??! Onde você estava?



- Hum... Numa festa ae...




Felizmente ela estava atrasada e não me fez mais perguntas, como por exemplo "Edu, o que são essas manchas vermelhas no seu pescoço?" Ehehe
Desabei na minha cama, mas logo acordei com uma puta dor de cabeça, bexiga estourando, e... ressaca moral. Primeiro que não lembrava nem do cara que eu havia ficado, não foi o que eu tinha planejado, o fato de ter ficado "quase" bêbado [eufemismo], e uma falsa impressão de ter desfeito minha carência, tudo isso misturado simplesmente jogaram qualquer perspectiva de um dia bom no lixo. E ainda Jimmy liga avisando que havia sido atropelado, mas que estava bem [ainda bem que não foi algo mais grave]. Só aquela preocupação a mais me jogou numa "depressão". Consegui desabafar no MSN e me controlar, e até rir do que eu havia feito. Fiquei tranqüilo. Lamentei o fato de Jimmy ter ficado de cama e não podermos ter feito mais nada, mas logo ele volta e arrasaremos com Sampa eeheh

Mas como toda felicidade dura pouco, essa durou três dias. Na quarta-feira, fui assistir à Madame Butterfly [uma espécie de Iracema japonesa], do Puccini, no Teatro Municipal. Na minha frente, um suspeito casal gay, mas já estou acostumado a ver casais assim lá, mas havia um casal gay uns assentos mais atrás, que trocavam carícias, cochichos, com mãos dadas...
Aquilo me irritou profundamente. Lembrei-me que eu estava solteiro, lembrei da festa. Eu tinha aliviado minha carência sexual, mas não a afetiva. E ela veio com tudo. No fim de semana, ela atingiu seu ápice. E ainda minha cabeça estava doendo porque a miopia aumentou e meu dente do siso estava nascendo, uma dor insuportável, e a coluna doendoe uma forte taquicardia... Não sei o que aconteceu, mas tive um ataque que me derrubou e acordei somente 14 horas depois.




E coninuo carente, na minha cidade, de férias [só volto para Sampa em agosto], mas mais tranquilo, sem neuras [por enquanto]. Sinto que esqueci de dizer algumas coisas, mas se lembrar eu conto ; )




---- Momento bicha caipira histérica e desmiolada ----

Eu vi o Bruno gagliasso no Shopping!!!! Ao vivo, cor, carne e osso!!!! Ele é realmente liiiiiiiindoooooo!

---- Fim do momento bicha caipira histérica e desmiolada ----


Lindooo




Enfim, de vez em quando sair da rotina é bom!
Abraços



21 de maio de 2008

49º Post - Ou Vai ou Racha?

Agora postando em casa, tranquilo, ao invés de estar em uma lan house.
Então, não vou na Parada? Isso mesmo. Desisti, o que já era no mínimo previsível.
Ultimamente meu humor tem oscilado muito. E não estou falando de um dia estar alegre e no outro triste. Todo dia eu acordo de um jeito, depois da aula fico de outro, e quando vou dormir mudo totalmente. É o estresse. E bota estresse nisso! Meu pescoço está doendo de tão duro que está. Explicações para o fato? Primeiro, estudar de manhã, à tarde, e à noite não é algo muito relaxante. Segundo, ando com aquele complexo de solidão que, dizem, é comum em cidadãos de grandes cidades. Terceiro, estou numa carência de intensidade nunca antes atingida.

O meu dia basicamente é acordar, tomar café, ir para o cursinho, almoçar, estudar até as seis, fazer a janta, tomar banho, ler livros e cama. Isso todo santo dia, com exceção dos domingos. Outro problema é o fato de eu ainda ter feito amigos no cursinho. Tudo bem que não sou uma das pessoas mais simpáticas e sociáveis que existem, mas já estamos praticamente em junho! Meio ano! E isso também é preocupante para mim, pois já estou a quase 4 meses em Sampa e não fiz nada do que eu antes havia planejado. Logo, estou preso numa estaca zero, com um zero bem redondo e em letras garrafais.

Mas sainda da esfera psicológica, tenho que dizer uma coisa que esqueci no post anterior. Pasmem! Eu moro em frente a um motel!!! Não é dos mais luxuosos, mas é bem frequentado. E da minha janela dá para ver alguns quartos. Será um pornô ao vivo? Seria, se as pessoas não fechassem as janelas! Por que elas fazem isso? Ahahaha azar!

E vejo que alguns comentários dizem que estou mais maduro. Discordo. Não acredito que tenha ficado mais maduro, mas sim mais responsável e melancólico. Sim, melancolia. Não ando fazendo mais tantas brincadeiras, talvez eu já esteja um velho caduco e chato. E responsável porque tenho que cuidar realmente de mim mesmo, apesar de ser bancado por meus pais. Acho que a morte da minha gata e da minha prima, fatos que ainda não aceito e não digeri totalmente, e morar em uma cidade tão grande tenha me dado um ar de maturidade, mas esse não é o caso.

No mais, tenho nada a falar. Monotonia total.
Enfim, abraços a todos.

30 de abril de 2008

48º Post - E Agora, José?

Pois é, após algumas desgraças, acho que é hora de realmente tentar voltar à normalidade. E primeiro tenho que contar sobre São Paulo. Morando aqui desde fevereiro, tenho muito o que falar [muito mesmo], mas como estou numa lan house, e sem muito tempo, terei que fazer um resumo do resumo.



Vou começar pelo cursinho. É um bem grande, e pelas minhas contas deve ter quase 5.000 alunos lá, ou seja, aquilo na hora de saída é pior que metrô em horário de pico... E por ter bastante alunos, tem bastantes caras... Tem para todos os tipo: branco, negro, japa, gordinho, magro, bombado, nerd, ursinho, enfim, tudo!

Mas tem alguns da minha classe que sou obrigado a comentar. Tem um que é parecido com Wolverine, é meio baixinho, um olhar de carente, de quem quero colo e está perdido e tem uma bunda. Na verdade, e A bunda. Acho que nunca vi uma mais gostosa, grande, e que dê tanta vontade de pegar quanto a dele. É tão grande que nunca vi ele de calça, só shorts... Tem um ursinho japinha, que também não deixa a desejar. Tem mais uns ae, mas num tem muito o que comentar. Tinha um que eu ficava secando, o cara é lindo, um sorriso bonito, um jeito meigo que dá vontade de levar para casa, mas ele foi para outra sala...



E com quem estou morando? Ok, já fiz essa pergunta em algum post ae embaixo... Fiquei meio desapontado com o cara. Japa sem graça. É meio chato também: tentei puxar conversa, fazera mizade, pois queira ou não vou morar com ele até o fim do ano; mas acho que não deu muita bola No começo foi legal fazer tudo sozinho, sem os pais. Ir ao mercado e escolher o que comprar, decidir o que fazer de almoço, janta; controlar meu horário. Foi bom, não que eu tenha realmente amadurecido, mas criei mais responsabilidade [não que eu não tivesse antes...]. Mas cansa. Cansa mesmo, tem hora que eu olho e digo: Porra, num vou cozinhar hoje! Vai ser miojoo! ahaiuhauha

Sair em Sampa tem sido meio complicado. Primeiro porque se eu num saio com Miojo, eu tenho que sair com Naty, Pikachu e Ciã, o que não me é muito agradável. E como Miojo algumas vezes sai com os amigos do cursinho, eu sobro. E meus amigos de cursinho? Pois é, não fiz nenhum. Primeiro que sou meio antipático, tenho uma cara de bravo, e sentei num lugar em que de um lado senta Naty e do outro umas pessoas que definitivamente não foram com a minha cara. Auhaiuha eu sou azarado mesmo!

Outra coisa vale comentar é a falta que uma academia me faz. Depois de fazer durante um ano e dois meses, ter de parar foi dificil. Começou a me dar crise de abstinencia: tentava pegar qualquer peso, me esticar, tentar correr no ap... Até tentei ir nalguma academia daqui, mas estou sem tempo. Isso porque tem 4 academias aqui por perto. QUATRO. Na minha cidade só tem duas. Em uma das visitei, o instrutor era tão bonito e gostoso que até Miojo soltou um "Nossa, eu entraria nessa academia só para ver esse instrutor." Auahaiuha
Para compensar, há um parque aqui, perto, com lago, bastantes árvores, bom para correr, barrar para exercicios, mas só dá para ir no fim-de-semana. E tem cada cara lá também ahaha.

Pelo que deu para perceber, eu só ando secando. É, isso é fato mais que consumado. Alguns vão dizer que para quem anseiava tanto por Sampa, para poder fazer o que quiser e der na telha, eu estou bem comportadinho. E estou mesmo. É meio dificil sair de uma pequena cidade onde eu num fazia nada de suspeito e chegar numa cidade grande porte. Ok, eu seco, e se vejo que o cara percebe eu desvio o olhar. Sim, eu me sinto mal por essa minha insegurança. Algumas vezes a carencia bate tão forte que estudar fica dificil. Entretanto, acho que progredi. É, no começo eu desviava o olhar na hora. Depois, comecei a manter o olhar, mas desviava logo depois. Uma vez, na Paulista, enquanto Miojo comprava uma revista, fiquei secando um cara, ele percebeu e ficou olhando. Eu ia desviar o olhar, mas acho que ele lembrou que ia assistir a algum filme e foi-se embora [estávamos na frente de um cinema] auhaiuha.

Ahh, isso é um progresso? Bom, no fim de semana passado, houve a Virada Cultural aqui em São Paulo. E eu, que num sou bobo, aprontei. Primeiro porque Miojo ia estar com umas amigas, e num estava afim de sair com Pikachu. No começo de sábado ainda estava com Miojo, assisti balé, teatro, o Bivouac [apresentacção de um grupo francês muito bom], piano, samba... Voltei só 6:30 da manhâ e saí novamente 9 horas, mas dessa vez sozinho. Repito: SOZINHO. É... Fui em alguns shows, andei por ae, mas onde eu queria mesmo era ir na Pista das Casas, onde DJ's das boates da cidade se apresentariam. Fui mais precisamente nas que eu sabia que era boates gays: Blue Space e The Week. Acho que a D-Edge também é, mas não deu tempo de ir.
Então, fui lá na hora da Blue Space. E foi muito bom estar num lugar chei de homens descamisados, com alguns se beijando e um clima de azaração que me incluia. Foi cômico para não dizer trágico. Pois eu estava sozinho, ao lado de um poste e dançando [entenda-se "um passinho para lá, outro para cá" pois dançar nunca foi meu forte]. E eu ficava lá, olhando para os lados, como se eu estivesse perdio auahahauha. é claro que eu sabia que eu estava sendo secado, e que era só eu chegar no cara, mas cadê a coragem? Isso era algo que eu nunca havia feito. Eu chegaria no cara e falaria "Oi, você vem sempre aqui?"? Nunca! Mas também não sabia o que falar, então ficava no meu canto olhando as pessoas. foi uma ótima apresentação do Dj da blue Space, boa musica, mas ia começar o set do Dj Patife, que eu não ia perder.

Ao contrario da outra pista, era impossivel eu fica no meu "passinho" com o Patife. Dancei, pulei, cantei, desestressei. Tudo sozinho. Mas nem ligava. Eu olhava para o lado e tinha uma senhora com idade para ser minha vó dançando. Ahuauhaihua Foi demais! Deu o horário voltei para a outra pista, era a vez da dj gra, da The Week. Não sei se era por já estar cansado, mas a musica não foi o quanto espera, mas é detalhe pequeno. E como vim "desinibido", dancei mais solto dessa vez, e de novo aquele clima de "ou eu vou, ou eu fico sozinho". Não fui... fiquei lá, dançando sozinho de novo. E eu dando risada de mim próprio! ahaiuhaiuha. Fiquei até o fim da festa, num estado de "estaca zero" total. É, analizando bem, saií no zero a zero, mas acho que com isso deu uma vontade de ir na Parada dia 25.

"Como assim? Eduardo não vai?"
Teoricamente e pragmaticamente, Não. Dia 25 é domingo do feria do de Copus Christi, feriado prolongado. Aliás, o último do ano. Logo, meus pais me querem bem perto deles nesse dia. E eu também, mesmo porque uma amiga vai fazer aniversário e não quero perder a festa. E como alguns blogayros que conheço não vão, então resolvi não ir. É. Mas agora resolvi ir. Mas como? Já tentei arranjar uma desculpa para poder voltar antes, mesmo que inda à Parada quase no fim, mas não tem nenhuma convincente. Prova do cursinho? Nunca num domingo. Inventar que não consegui passagem? mentira que facilmente seria descoberta. Há algumas razoáveis, mas todas envolvem outras pessoas. Uma é Naty. A Outra é Miojo. Entra as duas, fico com Miojo, e para isso, eu teria que sair do armário para ela. No plano, eu diria para meus pais que no domingo haverá a apresentação da Nona Sinfonia de Beethoven, e que ela vai junto. O problema é contar... Antes eu achava que Miojo era liberal, sem neuras, mas depois que ela viu homens beijando homens e mulheres beijando mulheres, ela soltou a homofobia dela. Ok, num foi homofobia, mas revelou que ela num era tão receptiva quanto eu pensava. Mas querem saber? Foda-se. vou contar na primeira oportunidade que tiver, não aguento mais essa mentira na minha vida: para alguem tenho que falar! Não sei como começar, mas depois que ela captar o sentido inicial [ela é meio desligada e demora para entender as coisas] acho que vai ser fácil.

Merda, perdi o fio da meada! auinahaiuh escrevi até mais do que pretendia. Ainda tenho que ir no mercado fazer comprar, preparar a janta e estudar. Ainda bem que amanhã é feriado! UHU!


Atualizar vai ser meio dificil, mas passo sempre que puder. E possiveis erros neste post vão passar, pq meu tenho aqui no pc tá acabando! auhaiuha
Abraços!

22 de março de 2008

47º Post - Refletindo / Uma Páscoa Amarga

Sabem aquela sensação de que mesmo fazendo tudo o que foi planejado as coisas não andam como deveriam andar? E que a qualquer momento tudo sairá do controle? Parece que não sei mais o que busco. E se sei, não deveria estar procurando-a. Talvez eu tenha que ser menos arrogante e descer do palco.
Estou me entupindo de sorvete, sem ninguém no MSN e com os amigos viajando na Páscoa, que pela primeira vez, não será o como eu desejava.
Editado - 23 de Março de 2008
Estava novamente chovendo, uma garoa fina batendo na janela, um tempo fresco. Uma noite que lembrava o trágico dia em que perdi minha gata. E novamente chovia.
O telefone toca.
Era meia-noite e com um telefonema a essas horas era previsível o motivo. Umas palavras torcadas e minha mãe cai em choro.
Desde o começo do ano, mais ou menos, minha prima foi internada no HC de São Paulo com um câncer. Durante minha estada lá, muitas vezes minha mãe ligava e dizia: "Está mal, mas torcemos para que melhore", e depois "foi para a cirurgia"; "Ela piorou..." e no fim "os médicos disseram que não há mais nada a fazer".
Estava conversando com o Tin Man no MSN nessa hora, tentando esquecer o clima pesado que estava na família, clima tal que me fez escrever aquelas poucas palavras acima.
Como muitos disseram hoje, foi algo rápido, nem eu esperava que ela morresse assim de repente. Foi duro, ainda estou abalado.
Não sou das pessoas mais ligadas à familia, mas ela era uma pessoa tão boa, tão legal que realmente fico bobo, sem saber para onde ir ou o que pensar. Sabem aquelas pessoas que mesmo não tão próxima é querida e especial? Era minha prima.
Foi muito triste quando minha tia e minha prima chegaram de São Paulo hoje de manhã. Meu tio também faleceu disso, e novamente um. E minha tia é um anjo também, não merecia passar por isso.
Queria fazer uma homenagem para ela, pois ela merece. Não sei o que fazer. A última vez que falei com ela foi no Natal. Resta só registrar o quanto gosto e admiro a minha prima, que a uma hora dessas deve estar deslumbrando Deus ou qualquer outra divindade em um Paraíso perfeito.
A Páscoa desse ano foi amarga, tão amarga que seu gosto ficará marcado por muito tempo. E começo a odiar dias chuvoso. Só torço para que este não se torne um ano de desgraças.
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Eu ia tirar este domingo para ler e comentar no blog de vocês, além de escrever um post com o que fiz em São Paulo até agora, mas não deu, me desculpem. Queria muito, mas não tenho ânimo e vontade para isso.
Abraços