16 de março de 2007

42º Post - Cenouras e Lâmpadas nas Correntezas de um Incerto Rio

Quase um mês sem postar.


Peço desculpas pela demora, mas estive muito ocupado durante esse tempo, e provavelmente será assim durante um tempo. Este saiu somente para não completar um mês. Estou sem vontade para nada, estático. Sei que muitos dirão que é excesso de estudo. Mas não é, pois há quem estuda mais que eu e mesmo assim está feliz. Então, estou triste.



Sinto-me ilhado. Há um rio, a vida flui nele, mas eu fico, somente assistindo. Mas tenho que mostrar um sorriso arco-íris totalmente complacente, já que só o amarelo não o representa. Minto. Sinto-me feliz algumas vezes, mas é insignificante. E por mais que eu demonstre estar triste, ninguém percebe, pois sempre fui alegre e engraçado, então quando algo não está nesse padrão, é simplesmente um "cansaço", uma noite "mal-dormida". E que culpa têm as pessoas em não perceberem? Nenhuma, sempre me mostrei desse jeito e elas não possuem como desvendar-me. E no fundo, não quero que elas me vejam triste, segurando-me para não chorar em momentos banais: pois seria o resumo de alguém fraco, do meu interior que durante minha vida sempre tentei maquear.



Mas sempre há esperança.
E de que adianta?
Ela é como a cenoura daquela respeitável imagem do burrinho esfomeado: anda incansávelmente para alcançá-la, porém, como a cenoura está amarrada em uma vara presa em seu lombo, ele nunca a alcançará. E ele não vê isso, e se vê, não liga, continua sua jornada. Ou então como o túnel escuro com uma ínfima luz em seu final: alguém que caminha intermináveis metros, e quando chega ao encantador brilho, vê que ela era somente uma lâmpada das idéias criadas pela imaginação. O fim do túnel é mais longe. Nada garante que todas as outras luzes não serão fruto da imaginação, mas caminha certo de que a saída está por perto. E um dia a energia acaba, o burrinho, desnutrido, perde suas forças e morre; e aquela louca pessoa tem suas pernas gastas, sua mente esgotada, e assim como o burrinho, desaba no escuro abismo da eternidade.



Calma; isso não aplica-se totalmente a minha pessoa. Sei que, talvez, na faculdade, as coisas melhorem. Ou as coisas serão em vão? E se algo me acontecer como o caso do Frank? Então tornarei me um burrinho, ou um louco sedento por luzes.



Talvez eu pudesse mudar minha realidade. Deixar de ser um covarde e parar de conformar com meus problemas. Mas se eu fizer isso, deixarei de ser o Eduardo que sou, e serei outro totalmente diferente, pois são certas decisões e peculiaridades diante de problemas que tornam um ser único no universo. Ou não. Talvez isso seja somente uma forma de me esconder novamente, de tirar a culpa das minhas costas. São tudo talvezes, incertezas.



Incertezas de um futuro incerto.






[Desculpem-me por não comentar no blog de vocês. Pois se for para ser falso, prefiro não ser aqui. E um desculpe maior ainda para o Viajante Interdimensional, pois ainda não pude passar em seu blog.]